domingo, 28 de Setembro de 2008

A Rapidíssima (*)

Na CP, cada dia de greve é penalizado com falta injustificada no próprio dia e nas folgas anexas. Na Carris, a actividade sindical e o exercício do direito à greve resultam em «multas» no vencimento mensal de mais de 40 euros. No Metro, o «representante» dos trabalhadores no Conselho Fiscalizador é mantido há anos sucessivos sem mandato dos trabalhadores. Na EMEF, a administração viola o Acordo de Empresa. Na TAP, o prémio com que a administração tentou fugir aos aumentos salariais não foi pago aos dirigentes sindicais, às grávidas e às vítimas de acidentes de trabalho.São violações graves aos direitos fundamentais previstos na Constituição. Contra estas violações, existem decisões dos tribunais e pareceres da Autoridade para as Condições do Trabalho. Mas elas prosseguem. E intensificam-se. São um retrato da crescente falta de liberdade nas empresas portuguesas. Mas nos casos citados, falamos de Empresas do Sector Empresarial do Estado, directamente tuteladas pelo Governo. Que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição mas depois a rasga nas orientações que dá aos que encarrega de administrar estas Empresas.
No dia 1 de Outubro, os trabalhadores portugueses irão à luta contra o Código do Trabalho, num momento em que as crescentes limitações à liberdade tornam essa luta mais difícil e por isso mais importante.
Na defesa da liberdade de Abril, os tribunais e demais entidades fiscalizadoras são instrumentos que não se podem menorizar e a que se deve continuar a exigir que actuem. Mas é na luta que tudo se constrói, se conquista e se decide.(*) Há uma anedota com barbas sobre um homem que se vai queixar ao stand onde comprou o seu automóvel que este tinha defeito: Quando metia as mudanças na auto-estrada, da 1ª à 5ª o carro aguentava bem, mas o motor partia «quando lhe metia a Rapidíssima». Ao ouvir José Sócrates em Guimarães falar da Força da Mudança e de como Portugal é um oásis, lembrei-me da anedota e fiquei a pensar: será que esta gente acredita que é possível convencer o nosso povo que a Mudança que levam colocada é a Rapidíssima e não a Retaguarda?
Artigo de opinião de Manuel Gouveia.

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

A Oeste - nada de novo?

Parafraseando um famoso livro sobre a 1.ª guerra mundial podemos dizer que a derrocada de Bolsas e a sucessão de falências dos últimos dias demonstram que, mesmo que na aparência «nada de novo» aconteça, algo de novo vai sempre acontecendo, num processo cuja agudização surge de súbito à luz do dia, comprovando a inevitável decadência que condena o capitalismo a não ser o «fim da história».
Não sendo surpresa, para quem tenha reflexão feita sobre a natureza do capitalismo, a crise que agora parte do sistema financeiro comprova como ele se tornou o centro do poder no sistema capitalista.
Salta à vista que estes anos de capitalismo à solta foram terreno fértil para o capital financeiro, à sombra da globalização de cariz imperialista, acelerar a concentração e dominação do capital portador de juros, como foi denominado por Karl Marx. As próprias empresas produtivas passaram a ficar presas à lógica financeira, num padrão que impõe o seu interesse a tudo, tanto na distribuição de rendimentos, como nas políticas seguidas pelos governos, na definição das políticas económicas e dos direitos dos trabalhadores, impondo a todo o custo o aumento da mais-valia à custa de maior espoliação e canalizando para a esfera financeira recursos retirados ao reinvestimento na produção, para concentração de volumes enormes de capital especulativo, parasitário. Esta crise é uma prova cabal de que, nos marcos do sistema capitalista, por mais que as forças produtivas cresçam, aprofundam-se as contradições do capitalismo, confirmando que ele é cada vez mais incapaz de assegurar o progresso social, os direitos do ser humano, dos povos e nações, a democracia.
Mas esta situação confirma também como tem sido justo concentrar como alvo principal da nossa luta o capital monopolista, financeiro, como fracção das classes dominantes hoje com mais poder e mais reaccionária, procurando a união e convergência de forças para o lado do progresso social, sem cedências mas também sem sectarismos.Não foi assim que actuámos na luta antifascista? Não foi assim que venceu o 25 de Abril?E não justifica isso a tenaz batalha travada contra a recuperação capitalista e o retorno do domínio do capital financeiro em Portugal?
A situação criada pelas derrocadas financeiras nos centros dominantes do capitalismo reclamam combatermos com maior vigor ainda o rumo dos governos que obsequiosamente têm aplicado a política de capitulação ditada pelos donos do império.E quando o capitalismo se revela tão incapaz de resolver as suas contradições e de resolver os problemas do nosso tempo e os sofrimentos que impõe à humanidade, é altura de lembrar que há mais vida para além do capitalismo.
Artigo de opinião de Aurélio Santos.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Manipulações

Quanto mais o sucesso da Festa do Avante! se afirma, mais a manipulação e o silenciamento informativos se desunham na ilusão de anular o acontecimento.Começando pelos dois semanários que, quais velhos Marretas, se degladiam para ser «a referência» dos hebdomadários, o anúncio que fazem da Festa roça o patético. O Expresso entendeu que a única coisa que valia a pena anunciar sobre a Festa, numa «local» ao fundo da primeira página, foi «Paulo Tortas [o boneco da Contra-Informação] fora da Festa do Avante!» porque «a organização da Festa impediu que fosse gravado um "sketch" » deste programa humorístico. Quanto ao Sol, aproveitou para anunciar que «ASAE vigia Festa do Avante!» e «obrigaram a reformular stands e pavilhões de restauração», para, no interior, pormenorizar que, afinal, «há três anos que a ASAE vai à Quinta da Atalaia antes e durante a Festa e tem corrido lindamente», gastando o resto da página com picardias anticomunistas em blogues de «bloquistas». E está a Festa noticiada e o País devidamente informado.
Mas os jornais diários não se ficaram atrás. O Público dedicou aos três dias da Festa três meias páginas partilhadas com as trampolinices de Paulo Portas e as atoardas de João Jardim, escassez que o Diário de Notícias não seguiu inteiramente, pois o número que noticiou o encerramento da Festa até apresentou chamada de primeira página e as reportagens que fez aos três dias do evento ocuparam páginas completas. Quanto ao Jornal de Notícias (e está fechado o «arco» dos «diários de referência»), à abertura da Festa dedicou uma «local» perdida no interior, no domingo ocupou meia página a demonstrar que a avalanche de juventude presente «não era comunista e só estava ali para curtir» (o que, mesmo assim, constitui uma modesta evolução sobre a tese de que «a Festa é só velhos») e na segunda-feira lá resumiu o discurso de Jerónimo de Sousa. O suprasumo da manipulação surgiria com as coberturas televisivas, onde a RTP despachou as suas obrigações de serviço público remetendo para a RTP-N (!) a transmissão directa do discurso de Jerónimo de Sousa, imitando a SIC-Notícias que, assim, também «desobrigou» o canal principal de mais coberturas, ambas recorrendo a planos enfadonhamente fixos do orador, mitigados por relances parcelares da multidão. Tirando isso, foi um fartar vilanagem: os três canais generalistas ignoraram a Festa em todos os seus noticiários durante os três dias da sua realização, remetendo para os fundos dos alinhamentos breves notas sistematicamente redutoras, distorcidas e até achincalhantes (velhos abrigados à sombra - cada vez mais difíceis de «caçar», pois há muito que a Festa é sobretudo dos mais novos -, jovens estendidos na relva, grupos erguendo copos como se festejassem orgias, etc.).
De fora ficou tudo: 20 hectares de convívio e festa frequentando por todo o lado espectáculos musicais, de dança, de teatro, colóquios, debates, exposições, livrarias e também a gastronomia e os produtos de todo o País ali presentes e representados, além do mais espectacular comício que se realiza anualmente em Portugal. Nem o facto de por ali circularem centenas de milhares de pessoas, maioritariamente jovens e vindas de todo o País, impressionou os responsáveis editoriais de todas estes órgãos que, pelos vistos, insistem na ilusão de que só existe o que é noticiado.Até se esquecem que o que realmente existe é o que é vivido. Ora a Festa do Avante! é vivida por centenas de milhares - todos os anos...
Artigo de Henrique Custódio

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos - Pequim 2008

1 - China
89 medalhas de Ouro, 70 de Prata e 52 de Bronze;
2 - Inglaterra
42 medalhas de Ouro, 29 de Prata e 31 de Bronze;
3 - EUA
36 medalhas de Ouro, 35 de Prata e 28 de Bronze;
4 - Ucrania
24 medalhas de Ouro, 18 de Prata e 32 de Bronze;
5 - Austrália
23 medalhas de Ouro, 29 de Prata e 27 de Bronze;
6 - África do Sul
21 medalhas de Ouro, 3 de Prata e 6 de Bronze;
7 - Canada
19 medalhas de Ouro, 10 de Prata e 21 de Bronze;
8 - Russia
18 medalhas de Ouro, 23 de Prata e 22 de Bronze;
9 - Brasil
16 medalhas de Ouro, 14 de Prata e 17 de Bronze;
10 - Espanha
15 medalhas de Ouro, 21 de Prata e 22 de Bronze;
42 - Portugal
1 medalhas de Ouro, 4 de Prata e 2 de Bronze.

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos Athens 2004

1 - China
63 medalhas de Ouro, 46 de Prata e 32 de Bronze;
2 - Inglaterra
35 medalhas de Ouro, 30 de Prata e 29 de Bronze;
3 - Canada
28 medalhas de Ouro, 19 de Prata e 25 de Bronze;
41 - Portugal
2 medalhas de Ouro, 5 de Prata e 5 de Bronze.

Jogos Paraolímpicos Sydney 2000

1 - Austrália
63 medalhas de Ouro, 39 de Prata e 47 de Bronze;
2 - Inglaterra
41 medalhas de Ouro, 43 de Prata e 47 de Bronze;
3 - Canada
38 medalhas de Ouro, 33 de Prata e 25 de Bronze;
26 - Portugal
6 medalhas de Ouro, 5 de Prata e 4 de Bronze.

O perigoso novelo do Cáucaso

Demorará tempo a assentar a poeira no Cáucaso, após o acto de agressão protagonizado pelo regime protofascista de Saakashvili, a 8 de Agosto, contra a Ossétia do Sul. A operação relâmpago para alterar o estatuto da autoproclamada república independente através do terror, destruição e a morte, algo impensável sem o apoio dos EUA, fracassou estrepitosamente – a provocação militar georgiana acabou por abalar irremediavelmente o anterior status quo. A Rússia respondeu com o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, objectivo pelo qual Tsinkhvali e Sukhumi se bateram ao longo das últimas duas décadas.
O mesmo não se poderá dizer da perigosa estratégia de confrontação lançada pelo imperialismo norte-americano contra a Rússia (o plano B ou A?), que se eleva agora a um novo patamar. A ofensiva em que, não obstante as diferenças de tom e método, se alinham os EUA, NATO e UE coloca também à prova, na região do Cáucaso em particular, frágeis equilíbrios no seio da própria multinacional Federação Russa.
É assim evidente que os actuais desenvolvimentos do conflito no Cáucaso galgam as margens da questão «específica» da auto-determinação da Ossétia do Sul e Abkházia, para confluirem no mar da crescente tensão e choque entre os EUA/NATO/UE e a Rússia. No âmago deste processo encontra-se a irreprimível lógica exploradora e expansionista do imperialismo expressa no alargamento da NATO e tentativa de forçar a inclusão da Geórgia e Ucrânia, na criação de novas bases militares e instalação do escudo antimíssil dos EUA na Europa de Leste (visando aniquilar o equilíbrio nuclear estratégico existente) e nas desesperadas tentativas para assegurar direitos extra-territoriais sobre recursos e corredores energéticos.
Importará, ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento da complexa realidade histórica do Cáucaso e as raízes dos conflitos da Ossétia do Sul e Abkházia. E lembrar – algo que a perversa campanha mediática em curso olimpicamente ignora – os efeitos desastrosos do desmantelamento da URSS na sua génese e manifestação. Foi sob o aplauso das «democracias ocidentais» que o exacerbado nacionalismo georgiano se converteu num dos agentes activos do enfraquecimento e desagregação soviéticas, rompendo os equilíbrios internos e reactivando velhas disputas étnicas. Eram os tempos da divisa «A Geórgia para os georgianos» do antigo presidente Gamssakhurdia, em que Saakashvili hoje se inspira, da abolição das autonomias e das fratricidas campanhas militares e de limpeza étnica. Em 1991, a Geórgia boicotou o referendo sobre a URSS em que 75% dos soviéticos disseram sim à sua manutenção. Mas na Abkházia este realizou-se e o sim venceu. O resto é conhecido. A 8 de Dezembro de 1991, era dado o golpe de misericórdia nos destinos do Estado soviético, fundado em 1922. E a figura, que emergiu, então, como o seu principal coveiro – Iéltsin – apressava-se a comunicar a boa nova – em «primeira mão» – a Bush (pai), para só depois informar o já totalmente desqualificado inquilino do Krémlin, Gorbatchov, do inconstitucional – e contrário à esmagadora vontade popular – desenlace.
No plano internacional, uma nova linha parece ter sido traçada. Para onde caminhará, no presente contexto mundial de agravamento de contradições e crise sistémica do imperialismo, uma Rússia capitalista que almeja deixar definitivamente para trás 20 anos de subserviência e (re)afirmar-se como potência, é uma questão que subsiste. Na certeza, de que a escalada de tensões em que apostam os EUA e a NATO, só aumentará os riscos à paz e segurança do planeta, ameaçando empurrar a humanidade em direcção ao abismo.
Artigo de opinião de Luís Carapinha

segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos - Atlanta 1996

1 - EUA
47 medalhas de Ouro, 46 de Prata e 65 de Bronze;
2 - Australia
42 medalhas de Ouro, 37 de Prata e 27 de Bronze;
3 - Alemanha
40 medalhas de Ouro, 58 de Prata e 51 de Bronze;
26 - Portugal
6 medalhas de Ouro, 4 de Prata e 4 de Bronze.

Jogos Parolímpicos - Barcelona 1992

1 - EUA
75 medalhas de Ouro, 52 de Prata e 48 de Bronze;
2 - Alemanha
61 medalhas de Ouro, 51 de Prata e 59 de Bronze;
3 - Inglaterra
40 medalhas de Ouro, 47 de Prata e 41 de Bronze;
29 - Portugal
3 medalhas de Ouro, 3 de Prata e 3 de Bronze.

domingo, 14 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos - Seoul - 1988

1 - EUA
92 medalhas de Ouro, 90 de Prata e 91 de Bronze;
2 - RFA
76 medalhas de Ouro, 66 de Prata e 51 de Bronze;
3 - Inglaterra
64 medalhas de Ouro, 66 de Prata e 53 de Bronze;
28 - Portugal
3 medalhas de Ouro, 5 de Prata e 6 de Bronze.

Jogos Paraolímpicos - New York/Stoke Mandeville - 1984

1 - EUA
136 medalhas de Ouro, 131 de Prata e 129 de Bronze;
2 - Inglaterra
107 medalhas de Ouro, 112 de Prata e 112 de Bronze;
3 - Canada
87 medalhas de Ouro, 82 de Prata e 69 de Bronze.
26 - Portugal
4 medalhas de Ouro, 3 de Prata e 7 de Bronze.

sábado, 13 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos - Arnhem 1980

1 - EUA
75 medalhas de Ouro, 66 de Prata, 54 de Bronze;
2 - Polonia
75 medalhas de Ouro, 50 de Prata, 52 de Bronze;
3 - RFA
67 medalhas de Ouro, 48 de Prata, 46 de Bronze.

Jogos Paraolímpicos - Toronto 1976

1 - EUA
66 medalhas de Ouro, 44 de Prata, 45 de Bronze;
2 - Holanda
45 medalhas de Ouro, 25 de Prata, 14 de Bronze;
3 - Israel
40 medalhas de Ouro, 13 de Prata, 16 de Bronze.

sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Jogos parolímpicos - Heidelberg - 1972

1 - RFA
28 medalhas de Ouro, 17 de Prata e 22 de Bronze;
2 - EUA
17 medalhas de Ouro, 27 de Prata e 30 de Bronze;
3 - Inglaterra
16 medalhas de Ouro, 15 de Prata e 21 de Bronze.

quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Jogos Paraolímpicos Tel Aviv - 1968

1 - EUA
33 medalhas de Ouro, 37 de Prata e 39 de Bronze
2 - Inglaterra
29 medalhas de Ouro, 20 de Prata e 20 de Bronze
3 - Israel
18 medalhas de Ouro, 21 de Prata e 23 de Bronze

segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Ouro, ouro!

Escrevia há semanas, nestas mesmas colunas, o camarada Vasco Cardoso, a propósito da «medalhite» que atingiu, através dos porta-vozes de sempre, a opinião pública portuguesa: «Os Jogos Olímpicos (...) projectaram no nosso país um conjunto de modalidades e atletas praticamente ignorados durante (pelo menos) os últimos quatro anos, confirmando que o desporto está muito para além do futebol profissional.»Volto ao tema porque a actualidade de uma notícia me recordou a tempestade de comentários aleivosos contra ao atletas que não atingiram os objectivos que deles alguns esperavam – ganhar medalhas.
O facto é que o que se espera de um atleta e ele próprio também assim o entende e a isso aspira é a participação nos jogos e a superação, através dos seus esforços, das metas que se propôs. Bronze, prata e ouro coroam esse esforço, que é sério e muito. E os que não atingiram esses metais deveriam aceder ao direito de mostrar orgulho na participação que tiveram.
Recordei-me de um programa daqueles em que a propósito de futebol se fala de clubes, de dirigentes e, sobretudo, de dinheiros. Três fulanos, moderados por um jornalista, debitaram então drásticas e venenosas apreciações sobre os atletas. Que se gastara muito dinheiro com eles, afirmaram. Que os resultados não eram compatíveis com o dinheiro dos contribuintes assim mal gasto. Os jornais, entretanto, só falavam dos 15 milhões que o Estado tinha gasto com os desportistas. Sem cuidarem de saber daquele exemplo de um marchador, operário, que treinou com muita dureza e cuja empresa lhe «deu» dois meses para que ele pudesse marchar nos Jogos Olímpicos. Como se Pequim fosse uma espécie de feira onde, carregadinhos de euros, os atletas fossem comprar... medalhas. A quanto sairia a de ouro? Um milhão? Dois?Mas vamos à notícia que me fez recordar as medalhas de Pequim e o seu preço. Foi anunciada a compra de um jogador de futebol por um clube estrangeiro – isso mesmo, a compra, porque os profissionais vendem-se como escravos, por muito milionários que fiquem a ser na troca. O jogador ficou pela módica quantia de 18,6 milhões.Ninguém protestou. Porque isto de grande futebol é bom negócio...
Artigo de opinião de Leandro Martins.

domingo, 7 de Setembro de 2008

Que força é essa, amigos?

Durante três dias vai encher o espaço da Atalaia.
Apesar de todas as vicissitudes e dificuldades, ela mantém-se como a maior realização político-cultural do país.
Apesar de todas as viragens que a vida política nacional e mundial tem sofrido nos três decénios de realização da Festa.
Apesar das violentas ofensivas do capital em todo o mundo e das dificuldades que o movimento comunista e as forças revolucionárias têm atravessado. Apesar das constantes medidas e campanhas anticomunistas em que se multiplicam e empenham as forças reaccionárias, os senhores do capital e os seus serventuários nos governos e órgãos do poder político.
É a Festa do Avante.
Muita gente pergunta: como conseguem os comunistas manter esta espantosa realização, que criou raízes e mantém expressão própria com tão forte influência na vida política e cultural portuguesa e com inegável projecção internacional?Sem dúvida que ela é expressão da firmeza e coerência da actuação dos comunistas portugueses. Mas há também outra razão que explica a vitalidade da Festa.
É a sua abertura à vida e ao mundo.
E quem tem olhos para o ver compreenderá a grande força colectiva de quem constrói ideal e se une para dar vida a esse ideal.
A Festa não é só a alegria de um acolhimento amigo e seguro que se vai encontrando no caminho dos que a percorrem.
É festa popular: tem tanta gente a fazê-la, a visitá-la, e até depois, a desfazê-la...
A Festa é também isso. Mas ultrapassa tudo isso.
Tem um cariz ideológico profundo que a atravessa. Combina e reveza trabalho e divertimento, pensamento meditado e discutido, debatido em múltiplas versões político-culturais, mantendo o forte pendor de presença popular de gentes de todos os quadrantes.Quem lá vai sabe que pode conhecer e discutir livremente as ideias mais difíceis e complexas que implicam a constante ousadia de discorrer, pensar e refutar.A Festa é nossa – dizemos com orgulho os comunistas.
Mas é também de todos os que lá vão e lá estão.
Não só de Portugal, como de muitos outros pontos do mundo.
Dizia Marx que o capital não tem pátria.
A ideologia comunista também não tem fronteiras - mas para partilhar com todos os homens e mulheres do mundo a luta pela libertação da exploração do homem pelo homem. Os comunistas lutam na sua pátria mas também além das fronteiras por esse ideal comum.
A Festa do Avante também reflecte essa amplitude e grandeza do ideal comunista. Daí retira também a sua força.
Até à Festa, amigos!
Artigo de opinião de Aurélio Santos, publicado no Avante!

sábado, 6 de Setembro de 2008

Desigualdades

Vencimentos mensais:

125357 - Belmiro de Azevedo
114286 - Lucho González (Futebolista FC Porto)
107143 - Cristian Rodriguez (Futebolista FC Porto)
107142 - Carlos Martins (Futebolista Benfica)
85714 - João Moutinho (Futebolista Sporting)
85177 - Francisco Pinto Balsemão (Presidente da Impresa)
72129 - Zeinal Bava (Presidente executivo da PT)
71429 - Nuno Gomes (Futebolista Benfica)
49024 - António Mexia (Presidente executivo da EDP)
48061 - Carlos Ferreira (Presidente executivo do Millennium BCP )
40000 - Manuel luís Goucha (Apresentador TVI)
35000 - João Lobo Antunes (Neurocirurgião)
33571 - Paulo Azevedo (Presidente executivo da Sonae SGPS)
30000 - Fernando Pinto (administrador delegado da TAP)
30000 - Miguel Velosos (Futebolista Sporting)
27857 - Rodrigo Costa (Presidente executivo da Zon Multimédia)
27429 - Ana Maria Fernandes (Presidente executiva da EDP Renováveis)
26420 - Ferreira de Oliveira (Presidente executivo da Galp Energia)
25980 - Vasco Mello (Presidente executivo da Brisa)
24940 - Faria de Oliveira (Presidente da CGD)
24532 - Ricardo Salgado (Presidente executivo do BES)
23838 - Eduardo Barroso (Cirurgião)
22000 - Catarina Furtado (apresentadora RTP)
20778 - Manuel Dias Loureiro (Empresário)
20000 - José Carlos Malato (Apresentador da RTP)
18673 - Fernando Ulrich (Presidente executivo do BPI)
17877 - Almerindo Marques (Presidente da Estradas de Portugal)
17818 - Vítor Constâncio (Governador do banco de Portugal)
17315 - Carlos Tavares (Presidente da CMVM)
17207 - Guilherme Costa (Presidente da RTP)
13715 - Manuel Polanco (Administrador- delegado da Media Capital)
12333 - Paulo Rangel (advogado)
11000 - Gilberto Madaíl (Presidente da FPF)
10000 - Alexandra Lencastre (Actriz TVI)
8000 - Soraia Chaves (Actriz SIC)
7500 - Fernanda Serrano (Actriz TVI)
7500 - António Pedro Cerdeira (Actor TVI)
7416 - Aníbal Cavaco Silva (Presidente da República)
7410 - Fernando Teixeira dos Santos (Ministro das Finanças)
7260 - José Sócrates (Primeiro Ministro)
7000 - Joana Seixas (Actriz da SIC)
6292 - Manuel Pinho (Ministro da Economia)
6178 - Adalberto Campos Fernandes (Pres. Do cons. Adm. Dos hospitais de Stª Maria e Pulido valente)
6000 - Margarida Vila Nova (Actriz TVI)
6000 - Diana Chaves (Actriz SIC)
6000 - Cláudia Vieira (Actriz SIC)
6000 - António Marinho Pinto (Bastonário da Ordem dos
Advogados)
473,73 - Funcionário Publico (Índice 142)

terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Antes que seja tarde

Em meados deste mês, o semanário católico italiano, Famiglia Cristiana, alertava nas suas páginas, a propósito das medidas racistas do governo contra imigrantes clandestinos e ciganos, para o espectro do ressurgimento do fascismo que paira sobre a Itália.Uma semana depois, a 21 de Agosto, a agência Lusa, citando o jornal La Repubblica, informava que um tribunal siciliano retirara a uma mulher a custódia do seu filho de 16 anos porque o menor pertencia a um «grupo extremista».
Entre as «provas do crime» entregues pelo pai do jovem aos serviços sociais da Catânia e apresentadas em tribunal juntamente com um relatório onde se afirma que o adolescente frequentava «ambientes» propícios ao «uso de substâncias alcoólicas e psicotrópicas», contam-se o cartão da Juventude da Refundação Comunista e uma bandeira com a imagem de «Che» Guevara.
O insinuado consumo de drogas não se comprovou, mas as «provas materiais do crime» convenceram o Tribunal da Catânia, que para além de decidir entregar a custódia do menor ao pai, deliberou ainda que a mãe do adolescente lhe terá de pagar 200 euros mensais de pensão de alimentos e abandonar a casa onde residia.Para se ficar com o quadro completo desta perturbante decisão falta dizer que o Partido da Refundação Comunista fez parte da coligação que apoiou o governo de Romano Prodi até à sua queda, em Janeiro último.
O caso levou já o secretário-geral da Refundação, Paolo Ferrero, a pedir a intervenção do presidente italiano, Giorgio Napolitano, considerando «inconstitucional e inaceitável num Estado de Direito» que um tribunal baseie a sua sentença no facto de um adolescente pertencer a um partido democrático. Desconhece-se quais serão os desenvolvimentos do processo, mas quando numa «democracia» europeia se considera crime aderir a um partido de esquerda e admirar «Che» Guevara, é caso para dizer que o espectro do fascismo está não só a ganhar forma como cada vez mais força, e não apenas em Itália. Da República Checa a Portugal, da Alemanha à França, eles andam aí. Como diria o sempre actual Brecht, quando baterem à nossa porta será demasiado tarde.
Artigo de Opinião de Anabela Fino publicado no “Avante!”