domingo, 30 de Novembro de 2008

«Cortem-lhe a cabeça»

Aqui se volta ao livro de Lewis Carroll e à intervenção recente de M. Alegre. Na «Alice no País das Maravilhas», a «Rainha de Copas» gritava incansável «cortem-lhe a cabeça!», mas não passava da proclamação - «é tudo imaginação dela, nunca chegou a executar ninguém», explicava o grifo.
A semana passada, aqui se escreveu, com verdade, que Alegre votou a favor do OE, o instrumento mais essencial da continuidade da política de direita, que trouxe o País até esta situação de crise, em rápido agravamento, e que votou positivamente a salvação dos banqueiros do BPN (e não só), que abicharam lucros obscenos e vão agora concentrar ainda mais capitais. Mas escreveu-se também que se tinha abstido no Código de Trabalho – um erro de informação, que aqui se rectifica para os efeitos devidos. Alegre votou contra e esse é um facto a registar, já que o fez apenas meia dúzia de vezes na legislatura. Fica também registado que o seu voto só foi confirmado quando ficou garantida a aprovação da legislação que dá corpo a esta ofensiva brutal contra os direitos dos trabalhadores.
No rescaldo veio a entrevista de meia capa mais seis páginas do DN de domingo, que foi tratada em certos media como se cortasse a cabeça a Sócrates. Mas em substância diz Alegre – que já passou o «tempo e a idade» (projecto nunca houve!) de disputar o poder no PS, que está em «reflexão» sobre participar em campanha eleitoral, desde que não apoie «pessoas» (quem?) «que não têm a ver» com ele – não é o caso de Sócrates com quem tem «boa relação pessoal» -, diz que «dificilmente» será candidato a deputado (só a Presidente da AR?), sobre presidenciais é o novo «Tabu», repete os números da votação anterior, e vai falando da «forte corrente» e do «dever cívico» – quando é que começa a «vaga de fundo»(?).
Sobre o PCP diz «não parece que queira aliança nenhuma», «nunca a quis»- assim se ilude sem escrúpulos a questão da ruptura com a política de direita e do caminho da construção da alternativa -, mas já no BE «há pessoas que tentam criar pontes», Louçã, como Sócrates, é «pessoa de qualidade».
De Alegre registe-se a teimosia. Há anos que esbraceja a sua «oposição» aos Governos do PS e às suas políticas, mas sobra apenas a «florzinha de esquerda» na casaca da política de direita.
Proclama «cortem-lhe a cabeça» -, mas «é tudo imaginação».
Artigo de opinião de Carlos Gonçalves

quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Mistérios do Magalhães

Os portugueses andam cada vez mais intrigados com a misteriosa vida do Magalhães – o computador, não o outro – que o primeiro-ministro Sócrates arvorou numa espécie de «Gil» do seu Governo, novel embaixador de modernidades e sucessos tão mediatizado como a versão portuguesa do «Tim-tim» que foi a imagem de marca da Expo. Tudo começou, tanto quanto se sabe, o que de resto é muito pouco, com essa coisa insólita de um chefe de governo vestir a pele de promotor de um produto da privadíssima empresa JP Sá Couto, dito o «primeiro computador português», cujo passou a fazer parte da bagagem do executivo em pequenas, médias e grandes deslocações, dentro e fora de portas, tão indispensável como a pasta de dentes e a gravata da praxe.
Seguiu-se – se assim se pode dizer, que no tocante ao Magalhães quase tudo o que parece não é – a distribuição em massa dos referidos computadores em cimeiras internacionais e escolas nacionais, com a garantia Sócrates de que não há melhor no mercado: que o digam os ministros, secretários de Estado, assessores e demais pessoal que não o dispensam nem usam outra coisa nos seus trabalhos.Se ninguém percebeu a íntima ligação do Executivo à Sá Couto, também ninguém percebeu como é que um aparelho para uso escolar satisfaz as necessidades dos governantes. Poderia dizer-se que computorizam pouco, mas isso seria má língua. Preferimos pensar que se trata de mais um mistério do Magalhães. Mas a coisa não se fica por aqui. A semana passada, após mais uma entrega mediática de computadores numa escola do 1.º ciclo, desta feita em Ponte de Lima, veio a saber-se que as crianças não puderam levar o «seu» computador para casa. Afirmaram uns que as máquinas ficaram retidas na escola para que os professores socializassem os alunos com elas; disseram outros que havia «questões administrativas a tratar». A verdade, que nem sempre é como o azeite, está ainda por vir à tona.
O que se sabe, de fonte segura, é que o Magalhães foi posto a render. Para quê e para quem nem chega a ser um mistério.
Artigo de Anabela Fino

domingo, 23 de Novembro de 2008

30 mil na rua

A provar como é verdadeira a afirmação de que quem não lê o Avante! pouco sabe das lutas no País e no mundo, foi preciso esperar por quinta-feira para conhecer um relato amplo e sério do que foi a luta dos estudantes do ensino básico e secundário no dia 5 de Novembro. Mais de 30 mil estudantes saíram à rua em todo o país contra o estatuto do aluno, o novo modelo de gestão das escolas e os exames nacionais.Nenhum profissional com critérios jornalísticos sérios tem dúvidas de que isto é notícia. Mas o dia nacional de luta passou mais que discretamente pelos principais órgãos de comunicação social. E onde passou, o tom geral foi o do folclore: sucederam-se as inevitáveis entrevistas a estudantes menos claros na explicação dos motivos da luta, os jornalistas deslumbrados pelas sms, as acusações de manipulação do costume. E nada que pudesse dar a ideia da verdadeira amplitude do protesto.
A Juventude Socialista, que raramente se ouve - e nunca a falar dos problemas da juventude portuguesa -, desdobrou-se em declarações acusando os estudantes do ensino secundário de serem manipulados pela JCP. O secretário de Estado cobriu-se de ridículo ao afirmar terem sido «avistados militantes de juventudes partidárias» à porta de escolas. É a velha teoria da lavagem ao cérebro, típica de quem só sabe relacionar-se de forma oportunista com os outros e de quem subestima a inteligência dos estudantes. Claro que nem lhes passa pela cabeça que a identificação dos estudantes com as reivindicações da JCP e do Partido para a política educativa se devam ao facto de serem justas, discutidas e construídas com eles.
Em nenhum momento – e a excepção confirmará a regra – foram ouvidos os dirigentes associativos estudantis que convocaram e dirigiram o dia de luta. Esta ausência reflecte uma maneira de olhar a juventude que só convém ao Governo e aos que o apoiam. A ideia de jovenzinhos rebeldes e inconsequentes, desorganizados, isolados, egoístas, com gritos de alma efémeros e sem saber o que querem, sem interesse pela política nem pelo futuro. Mas não há silenciamento nem caricatura que disfarce que a juventude portuguesa reflecte, se organiza e luta!
Artigo de Margarida Botelho

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Os subversivos

O Luís e a Catarina foram condenados esta terça-feira, 11 de Novembro de 2008, pelo «crime de dano qualificado de bem público». A sentença, proferida por uma juíza do Tribunal de Viseu, foi ditada 34 anos, 6 meses e 17 dias depois do derrube do fascismo nessa data histórica de 25 de Abril de 1974.
O Luís e a Catarina – com 26 e 24 anos, respectivamente – não viveram esses tempos exaltantes em que o povo saiu à rua a festejar a liberdade, em que os militares traziam cravos vermelhos nos canos das espingardas, em que os fascistas fugiam para os «brasis» da época como ratos à procura de toca.
O Luís e a Catarina também não viram a festa das primeiras eleições livres nem celebraram a aprovação da Constituição democrática, tal como não assistiram ao fim da guerra colonial nem à libertação dos presos políticos, nem à Reforma Agrária, nem às nacionalizações, nem a tantas outras coisas fruto da Revolução de Abril que deram dignidade à vida dos trabalhadores e do povo português.
O Luís e a Catarina não existiam ainda no 11 de Março nem no 25 de Novembro, mas quando abriram os olhos para a vida, quando ensaiaram os primeiros passos, quando balbuciaram as primeiras palavras, quando escreveram as primeiras letras, quando começaram a sonhar o futuro tiveram sempre uma rádio, uma televisão, um jornal, um Governo a garantir-lhes que viviam numa democracia. Eventualmente, aprenderam na escola que a Constituição portuguesa consagra direitos, liberdades e garantias a todos os cidadãos, incluindo a liberdade de expressão.
O Luís e Catarina aprenderam por certo muitas coisas nas suas jovens vidas. Cresceram, fizeram opções, tomaram partido. E num dia de Abril de 2006, na qualidade de cidadãos livres que escolheram militar na Juventude Comunista, saíram à rua para pintar num viaduto de Viseu, a grande transgressão das suas vidas: «8.º congresso da JCP. Transformar o sonho em vida. 20 e 21 de Maio. Vila Nova de Gaia». A Câmara/PSD denunciou a pintura, a PSP apreendeu-lhes o material e identificou-os, o Ministério Público acusou-os de crime, o Tribunal de Viseu condenou-os. O Luís e a Catarina são um perigo público que é preciso combater: acreditam na liberdade.
Artigo de Anabela Fino
Comentário: Será que os tribunais não têm ladrões, falsificadores, passadores de droga, crimes de colarinho branco, casas pias, operações furacão e BPN's para julgar?
E já agora ó Vitor então tu vens dizer que o subsidio de desemprego é generoso? Ou será que aqueles 700 milhões de euros dados aos barões pelos contribuntes todos, é que eu não tenho nada a ver com o BPN nem sequer tenho conta nesse banco, mas também vou contribui com os meus impostos. Para essa gentalha derreter a seu belo prazer.
Aí Portugal, Portugal - Já bateste no fundo. Só o Povo poderá dar volta a isto. Vamos lutar pelos nosso direitos meu povo, porque os capitalistas estão a lutar pelos deles, será que não vêm o que está a acontecer? É a luta de classes ao mais alto nível, e só lutando ao lado daqueles que nos apoiam que são os sindicatos, o PCP e alguns outros sectores da esquerda, mas essa muito soft, que é para não levantar muitas ondas, mas nós temos que levantar a Tempestade para que isto mude e que as desigualdades sejam cada vez menores.
Lino Soeiro

segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

As 5 maiores empresas do sector do Comercio

1º-Modelo Continente - Hipermercados
2º-Companhia Portuguesa de Hipermercados
3º-Feira Nova - Hipermercados
4º-Dia Portugal - Supermercados
5º-Renault Portugal

domingo, 16 de Novembro de 2008

Trocadilhos ideológicos

Condoído por todos quantos, moídos pelo esforço da procura nunca atingida de elementos para melhor compreender os objectivos e posicionamento do BE em matérias como as da sua estratégia e posicionamento ideológico, o líder do Bloco veio há dias procurar pôr termo à busca. Segundo Louçã, o Bloco «reconstrói a ideologia a partir da política» e «afirma uma política que constrói uma ideologia forte». Tudo num processo que designa como «política directa, política prática que conduz a reformas na redistribuição da riqueza». Regista-se o gesto de esclarecimento ainda que, ressalvados os trocadilhos e arredados os jogos de palavras, os expectáveis avanços para quem se dedicasse ao estudo da matéria (por mera curiosidade ou investigação em ciência política), saiam frustrados pela escassez de respostas e a abundância de enigmas ininteligíveis. Não por deficiente poder comunicativo nem menor eloquência formulativa do dirigente do Bloco, mas sim por um intencionado propósito de, a coberto de um rendilhado jogo de palavras, não desvendar o vazio de objectivos e o mar de incoerências em que o seu partido constrói a sua influência e intervenção. Não se pode pois pedir a Louçã que sobre a matéria falasse claro, que viesse a público confessar a natureza social-democratizante do seu posicionamento ideológico; negar a luta de classes e o principal conflito de classe a ela inerente (apresentando-a, como gosta de apresentar, como um mero confronto da cultura de modernidade contra o conservadorismo); recusar o papel central da luta dos trabalhadores e da classe operária (suportado na usual afirmação de que a luta emancipatória do trabalho é inseparável de todos os outros referenciais de transformação e modernização); ou despir o socialismo da sua mais importante característica enquanto sistema - o das relações de produção e de propriedade (defenindo-o como por lá se escreve, como o exacto oposto do pensamento neo-conservador!). Sem grande margem de esforço se poderia adequar ao que Louçã afirma, o que Marx escreveu para ilustrar o nascer da social-democracia: «Às reivindicações socais do proletariado limou-se-lhes a ponta revolucionária e deu-se-lhes uma volta democrática; às exigências democráticas da pequena burguesia retirou-se a sua forma meramente política e afiou-se a sua ponta socialista”.
Artigo de opinião de Jorge Cordeiro.

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

O PS no seu melhor!

Vivemos o momento em que a crise capitalista vai caindo do seu nimbo financeiro para aterrar na «economia real», na retracção da actividade produtiva e do consumo, na falência e encerramento de empresas, no desemprego, nas dificuldades crescentes dos trabalhadores e das populações laboriosas. Um momento em que se repercutem todos estes anos de política de direita, factor da crise e da correspondente concentração de riqueza, e se torna ainda mais evidente que o capitalismo não tem respostas nem devir histórico, por muito que o remendem, e que é urgente a ruptura e uma forma superior de organização da sociedade – o socialismo.
Neste quadro o PS/Sócrates (este PS porque não há cheiro de qualquer outro) torna explícita a degradação a que chegaram as suas opções e orientações, ao ponto a que chegou na simbiose com os grandes interesses, nas políticas concretas com que assegura que a crise seja instrumento de mais concentração do capital e polarização da riqueza.É o PS no seu melhor! O PS que aproveita a crise para prosseguir as mesmas políticas que foram e são factor da crise, para privatizar os lucros e «nacionalizar» os prejuízos, para prosseguir no caminho de mais exploração e menos direitos, como acontece no código do trabalho. O PS que há três semanas negava a crise e agora promove a «psicologia da crise» como factor de medo, de resignação e de aceitabilidade da sua política. E não hesita na demagogia, na mistificação, na chantagem económica, na eliminação de elementos de conteúdo do regime democrático para garantir o poder e as suas benesses.
É o PS no seu melhor! O mesmo PS que, por exemplo, avança com a nomeação dum amigalhaço do MAI para fiscal dos Serviços de Informações (aliás concentrados no Primeiro Ministro como só aconteceu na «outra senhora») e cujo indigitado presidente Marques Júnior constata a evidência - que mil vezes repetimos -, de que é impossível garantir que as «secretas» cumprem a lei e que em vez de daí retirar as devidas conclusões – ou se altera a lei (como sempre propôs o PCP) ou se recusam as funções -, opta pela bravata (eu vou-me a eles!) para esconder a disposição de cumprir com zelo o acordo de 30 anos de PS/PSD/CDS de opacidade e ilegalidade sistemática dos Serviços de Informações.
Oportunismo e serviço dos interesses no poder. É o PS no seu melhor!
Artigo de Carlos Gonçalves

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

As 5 maiores empresas do sector alimentar, bebida e tabaco

1º - Pingo Doce - Distribuição Alimentar
2º - Lactogal - Produtos Alimentares
3º - Recheio - Cash & Carry
4º - Uniliver Jerómino Martins
5º - Nestlé Portugal

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

China

Quando se tem uma realidade muito complexa para analisar, o melhor é estudar o máximo de informação possível.
Por isso terá interesse trazer aqui alguma informação colhida em artigo recente de Sara Flounders no Workers World (china).
Trata-se das medidas tomadas pelo governo chinês para obrigar («num prazo de 100 dias») as multinacionais instaladas no país a aceitar a organização sindical nas suas empresas. Esta medida envolve milhões de trabalhadores. Cria condições para a sua intervenção directa tanto em questões de ordem salarial como relativas a condições de trabalho. A Federação de Sindicatos de Toda a China espera que com este alargamento de intervenção o seu número de filiados aumente dos actuais 170 milhões para 200 milhões, mais do que 12 vezes o número de trabalhadores sindicalizados nos EUA.Esta vaga de sindicalização vem na sequência de vários anos de um crescendo de greves selvagens, de dezenas de milhar de acções nos locais de trabalho, de iniciativas da classe operária chinesa no sentido de se organizar para defender os seus direitos «contra as condições de sobre-exploração impostas nas fábricas de propriedade estrangeira». Entre 1995 e 2006 o número de conflitos laborais aumentou 13 vezes e em torno de muitos deles desenvolveram-se importantes acções de massas. «Os sindicatos tornam-se mais agressivos nas suas reivindicações. Nova legislação laboral e um controlo mais apertado em relação ao seu cumprimento conduzem a que as multinacionais já não possam fugir ao pagamento de horas extraordinárias». «Estas campanhas não representam iniciativas de carácter socialista. São sobretudo acções defensivas, pressionadas pelas lutas de massas, para defender os trabalhadores dos piores efeitos das relações de produção capitalista que têm crescido na China desde que, em finais dos anos 70, se desenvolveu a opção pelo “socialismo de mercado».Esta informação merece registo. Fala-nos de vigorosa resistência de classe, em que o lado dos trabalhadores encontra eco positivo na acção do governo.Que dizer a isto, no Portugal em que o Código do Trabalho de Sócrates declara guerra aos trabalhadores e às suas organizações de classe e promove o ainda maior agravamento da exploração da força de trabalho?
Artigo de opinião de Filipe Diniz.

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Despesas com habitação

“Tal como prevíamos, as despesas com habitação dispararam, são cada vez em maior número as famílias que adquiriram a habitação em que residem pelo que o seu peso nos orçamentos familiares subiu 34,3% entre 2000 e 2005.”

“A estrutura actual do Índice de Preços no Consumidor não corresponde à estrutura das despesas das famílias e a não inclusão das despesas de grande parte das famílias tem com os empréstimos á habitação faz com que os valores que vêm sendo divulgados da inflação estejam fortemente subavaliados.”

domingo, 2 de Novembro de 2008

Culpa solteira

Entre os que empenhadamente procuram a todo o custo resgatar o capitalismo do papel de responsável único pela crise financeira mundial proclama-se a intenção de não deixar a culpa morrer solteira. Na corrente de argumentos mais primários e directos recheados de pendor moral aparecem elevados a pretendentes a parceiro da dita culpa, gestores, directores executivos, administradores, correctores. Neles residiria a ganância dos lucros fáceis, o desvario bolsista, a gestão incompetente e danosa de fundos imobiliários e instituições financeiras responsável pela tormenta capitalista. Para os que assim argumentam, as razões não estão no sistema nem no modo de produção que o sustenta. Os factores objectivos aparecem submergidos por um alegado elenco de atitudes e comportamentos que, violando critérios éticos e filantrópicos, explicariam os desmandos financeiros e a irracionalidade dos mercados. A que se juntam os que discorrendo sobre teoria económica verberam aquilo que designam como capitalismo selvagem e desregulação do mercado ou lamentam o que denominam de globalização desumana. Uns e outros fingindo ignorar o carácter predador do capitalismo, a sua essência eminentemente exploradora, as leis e categorias económicas que tornam as crises do capitalismo cíclicas e inevitáveis. Uns e outros buscando soluções para salvar os interesses dos que estão na origem da crise, invocando o nome dos depositantes e das pequenas empresas, mas prontos a devolver-lhes a factura e a remetê-los para contribuintes líquidos dos custos da crise. Todos unidos no esforço de ocultar as raízes do problema e a desviar a atenção da alternativa que perante a falência do capitalismo emerge com redobrada actualidade – o socialismo.
Artigo de opinião de Jorge Cordeiro.