sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Esplendor ideológico

Enganei-me ao pensar, enjoado e farto, que já nada me espantaria na diatribe propagandística do primeiro ministro e seus satélites. Mas eis de súbito erguida uma nova corrente ideológica antimarxista que com todas as letras afirma que os comunistas são «de direita» e dos «mais reaccionários e conservadores». E proclama, como seu desporto favorito, «malhar» neles.
É certo que o dichote político, quando certeiro, pode até obter bons resultados. Mas este é tão tosco, insere-se tão rasteiramente na campanha de arrogância do Governo,– diária, matraqueante, casuística, feirante, vazia – que obriga a certas reflexões sérias.Para se chegar a tal ponto é visível que o Governo sente falta de legitimidade e que cada rol de pretensas soluções, cada enfática tese demonstrativa da sua vontade de «servir o bem comum», cada solene invocação do interesse nacional, cada promessa sonante de melhor futuro, fazem com que perca o pé na trapalhice em que caiu. Sem autoconfiança, apresenta como legitimação a hipócrita máscara de sucesso. Mas já não acredita em si mesmo.A teoria malhadista do ministro trouxe-me à lembrança um velho artigo de Eduardo Lourenço que lhe recomendo que leia (e compreenda, se possível sem malho mas com sentido crítico) em que Eduardo Lourenço, com o título «O socialismo e o complexo de Marx», analisa o velho e inevitável mal-estar teórico dos socialistas relativamente aos socialistas que mantêm objectivos revolucionários, isto é, os comunistas. Trata-se de uma análise reflectida e desapaixonada, infelizmente de actualidade acutilante. No prólogo, uma advertência do autor sobre esse socialismo: «O inimigo está dentro da fortaleza».Noutro aspecto, e sem pretender meter a foice em seara freudiana, aquela declaração do gozo em malhar chocou-me. O quê? Não haverá nisto um pendor de sadismo? Pequenino, pigmeu que seja?...
Está a precisar de mais leitura, o ministro. De maior rigor na análise. Para teorizar é preciso saber muito. E ter sentido crítico reflectido.
Pode começar talvez por ler «O Malhadinhas», de Aquilino Ribeiro, que o autor, mais do que narrativa, caracteriza como registo psicológico.Artigo de opinião de Aurélio Santos

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

18º congresso (Cinco)

“Os reformados, pensionistas e idosos têm sido alvo de uma profunda ofensiva política e ideológica desencadeada pelo actual Governo PS/Sócrates:
- Fomentando falsos antagonismos entre reformados e a população activa e entre reformados do sector público e os do privado;
- Criando uma visão catastrófica da evolução financeira do sistema da segurança social, dando corpo a uma verdadeira “contra-reforma” legislativa, que desferiu um rude golpe contra os direitos dos trabalhadores que se reformam, tanto na Administração Pública como no sector privado;
- Degradando as reformas, com miseráveis aumentos anuais, elevando a carga fiscal, e provocando o aumento de bens essenciais de consumo, e tornando difícil as condições de vida desta camada social, ao mesmo tempo que dificulta o acesso aos cuidados de saúde, cada vez mais caros, agravando as desigualdades sociais e mantendo elevada a taxa de pobreza e exclusão social.”
Casimiro Menezes

Pornofascismo

Se a palavra é nova, a prática, que talvez não o conceito, não deixa de ser velho, tão velho como o fascismo que, conforme se lembram alguns e esqueceram muitos, representou a resposta a que o desespero reaccionário do capitalismo lançou mão para se opor, na Europa e depois por aí fora, ao fim anunciado da exploração do homem pelo homem que a Revolução de Outubro trouxe para a arena da História. Enleado em crises sucessivas criadas pelo seu próprio sistema de acumulação, o capitalismo precisava de ser salvo. E encontrou em cada país os seus aliados na pequena burguesia vacilante e na atávica traição da social-democracia. Campo fértil para medrar, chegando a obter, como foi o caso da Alemanha e da Itália, um amplo apoio de massas. Regime bárbaro e sanguinário, o fascismo e o nazismo erigiram o Estado como feroz perseguidor das liberdades e, sobretudo, o feroz capataz do capital, impondo aos trabalhadores a miséria e a obediência em face da exploração desenfreada. Fazedor de guerras, destrutor de nações, torturador e assassino, o fascismo é o retrato a corpo inteiro do capital que hoje, uma vez mais, vacila perante a crise que engendrou.
Não admira, assim, que, de tempos a tempos, seja forte a tentação de repintar o retrato dos ditadores. Hitler já foi «maluco» e toxicómano, já foi pederasta e machão, representou o papel, em numerosas histórias, tanto de frio e calculista como de apaixonado que «descansava» dos seus feitos no regaço rechonchudo de Eva Braun. O fascismo de Mussolini já foi presenteado com um filme – aliás genial – de Visconti, que se interessou mais pela escatológica pornografia de Sodoma do que pela natureza corrupta do capitalismo.
Por cá, pobrezinhos que somos, entre a tentativa de erguer um monumento ao ditador ou de abrir um museu com o seu execrável nome, aparecem estas «novelas» que novamente nos impingem. Há tempos, o inefável Moita Flores, «inventou» os «ballets roses», baseado na escandaleira dos ministros e das suas róseas rapariguinhas. Agora, vendem-nos o Salazar, esse «Botas» «sempre casto», como um orgástico cavaleiro que não deixava escapar nenhuma dama.
Coisas para a gente se distrair. Está na moda, e apresenta imagens escaldantes. Como deve ser.
Artigo de opinião de Leandro Martins.

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Casado com a conjuntura

No meio da superficialidade e de uma cultura política mediática onde a memória dos comportamentos, das declarações e das opções é apagada a cada nova manchete, florescem os vendedores de ilusões. Por detrás de uma exuberante radicalidade, destilam frases feitas e panfletárias sobre aquilo que em cada momento julgam ser mais rentável, sem que, da parte dos que estão sempre prontos para o rigoroso escrutínio de tudo e de todos, lhes bata a porta o questionamento ou o confronto sobre as mais que muitas contradições onde navegam.
Foi assim que ouvimos Francisco Louçã na Convenção do BE cujo discurso, incapaz de se distanciar do Telejornal do dia anterior, bem espremido, e descontadas as paletes de adjectivos autoglorificadores, não dá mais do que a confissão sobre as ambições eleitorais – legítimas claro! - do seu partido e a requintada manobra de instrumentalização da ideia de convergência (“juntar forças”) – valor sempre susceptível de captar apoios em amplos sectores democráticos – em benefício próprio. Casado com a conjuntura, FL só conseguiu ir para lá das eleições em 2009, quando teve a necessidade de lançar para a frente promessas de apoio a Alegre em….2011 a pensar na recolha que os dividendos dessa promessa lhe possam trazer agora.Propostas também as houve, muitas das quais têm décadas de expressão pública, nomeadamente pela voz do PCP, outras, enfermam de uma radicalidade sedutora, e demagogia soft, de que foi exemplo a proposta de proibição de despedimentos em empresas com lucro que, aparentemente simpática, avaliza os despedimentos em todas as outras empresas, incluindo aquelas – e não serão poucas – onde se manipulam os balanços para apresentar prejuízos.
Uma superficialidade que ajuda, e muito, a fugir às questões de fundo do país e do mundo e a ocultar o posicionamento ideológico e de classe por detrás de estórias, rábulas ou fábulas, disparadas a pensar no directo para as televisões. Muitos foram os que, na comunicação social dominante, caricaturaram a caracterização que o PCP fez nas Teses ao seu XVIII Congresso das diferentes forças políticas, designadamente do BE. Embora sem alimentar grandes expectativas que tal venha a acontecer, fica aqui o desafio a todos eles, para que percam alguns minutos a revisitarem sem preconceitos essas mesmas teses e a verificarem se esta Convenção do BE, no essencial, confirmou, ou não, aquilo que tínhamos dito.
Artigo de opinião de Vasco Cardoso

terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Poço sem fundo

Assim por alto, a conta já vai em qualquer coisa como 25 mil milhões de euros de dinheiros públicos comprometidos em apoios ao sector financeiro em Portugal. Feitas as contas, temos 20 mil milhões em garantias do Estado, 4 mil milhões disponibilizados para capitalizações na banca e, ainda, a nacionalização do BPN e a intervenção da Caixa no BPP, que não ficaram por menos de mil milhões de euros.
Alguns dirão que se trata de coisas distintas e que não é possível somar cada uma destas parcelas, mas, na verdade, entre injecções directas de dinheiros públicos, assumpção de prejuízos de bancos falidos ou garantias que têm por detrás o aval do Estado, o Governo PS disponibilizou em escassas semanas ao sector financeiro aquilo que ao longo destes quatro anos recusou aos trabalhadores e ao povo português.
Vem isto a propósito das recentes notícias que dão conta do projecto de criação pelos Estados dos chamados «Bad Banks», ou se preferirmos «bancos maus», para recolherem os ditos «activos tóxicos» e, desta forma, «limpar os balanços» dos bancos das dívidas entretanto contraídas, transferindo-as para o Estado. Uma operação que apenas se destina a salvaguardar o património dos banqueiros, ao mesmo tempo que se transfere os muitos milhões de prejuízos para as costas dos povos. E mesmo que tal ideia esteja, para já, a ser apenas admitida no plano internacional, o comportamento e as opções do Governo PS não autorizam outra opinião que não seja a de que se tentará impor aqui aquilo que o Sr. Obama já disse ir fazer nos EUA e que o BCE e a Comissão Europeia estão a preparar para a UE.
Este serviço, que em nome da crise tem sido prestado aos grupos financeiros – apesar dos 1500 milhões de euros de lucros em 2008 dos principais bancos em Portugal –, é um verdadeiro escândalo, uma autêntica vergonha, que ilustra bem o domínio que a burguesia monopolista tem sobre o poder político nestes países e até onde está disposta a ir para salvaguardar os seus interesses de classe.
O sector financeiro nas mãos dos interesses privados é um autêntico poço sem fundo, para onde caem todos os meses os juros do empréstimo para a casa, para o carro ou para a operação; um poço sem fundo para onde são despejados os milhões de dinheiros públicos necessários para aumentar salários, baixar os preços, criar emprego, investir ou produzir riqueza. Um poço sem fundo, porque a exploração e o lucro não conhecem limites. E é por isso que a exigência do controlo dos sectores estratégicos da economia nacional pelo Estado, a começar pelo sector financeiro, constitui uma condição decisiva para romper com a política de direita. Condição essa que pode e deve mobilizar os trabalhadores e o povo português.
Artigo de opinião de Vasco Cardoso

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Um caso de sucesso

Quando há dias o primeiro-ministro chamou pobres de espírito a quantos não são capazes de reconhecer a excelência do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Ministério da Educação com a chancela do Governo, confesso que fiquei abalada nas minhas convicções e que pus em dúvida a minha capacidade – modesta embora – de discernimento. É que Sócrates agitava um argumento de peso apresentado numa sessão organizada com tanta pompa e circunstância que intimidava qualquer um. Nada mais nada menos do que um relatório com a chancela da OCDE garantindo, preto no branco, que o encerramento de escolas, as reformas curriculares, a avaliação de professores, o estatuto da carreira docente, enfim, tudo o que tem sido alvo de contestação popular e conseguiu unir os professores numa frente de luta nunca antes vista no sector, era afinal a maravilha das maravilhas em matéria de política educativa.
Convenhamos que dava para pensar, tanto mais que Sócrates – na cerimónia de apresentação do dito estudo – não escondia a satisfação de poder, ao menos uma vez, desancar na oposição com a alegada legitimidade conferida pela OCDE, e ainda por cima mostrar ao País que há uma luz ao fundo do túnel e nem tudo são desgraças. E isto, claro, graças ao seu Governo e à sua política.
Estava pois neste trilema, já me interrogando até se os 150 000 empregos prometidos na campanha eleitoral, mais as medidas para a criação de emprego para combater a crise, mais as reformas disto e daquilo afinal não seriam mesmo verdade que só por pobreza de espírito eu mais uns quantos milhões de portugueses não conseguíamos enxergar, quando a nudez crua da verdade veio à tona estilhaçando o manto diáfano da fantasia, que no caso vertente mais apropriado seria designar por mentira mesmo. Afinal o relatório não era da OCDE, fora encomendado e pago pelo Governo e tinha por base um trabalho do próprio Ministério da Educação. A coisa deu bruá na Assembleia, após o que o PS pôs uma pedra sobre o caso afirmando não ter «mais nada» a dizer sobre o assunto, não sem antes Sócrates insistir que quem o critica «tem ciúmes» do «sucesso» do País.
Não fora terem muitos outros e mais graves problemas com que se entreter, e os pobres de espírito já podiam dormir descansados.Artigo de opinião de Anabela Fino

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Protectores

No filme «O Pátio das Cantigas» (1942), o realizador - ou alguém por ele - encontrou forma de integrar uma imagem de propaganda. No meio da confusão de uma cena de pancadaria num arraial popular, alguns personagens abrigam-se atrás de um balcão. Um deles diz: «Aqui estamos protegidos». Por cima, uma faixa tem um nome: Salazar.Há uma semântica reaccionária associada ao verbo proteger. Implica a exposição inferiorizada a uma situação, um perigo ou um dano. Implica um elemento exterior com poder, qualidades e força para concretizar a protecção. Implica em muitos aspectos subalternidade e impotência.
Não deixa de ser significativo que esse verbo tenha reaparecido sob a forma de mensagem política. Num caso, em cartazes do BE: «quem protege as pessoas?». Noutro caso, bem mais marcante do ponto de vista ideológico, em campanha do PS: numa sequência de imagens em que o elemento constante é a figura de Sócrates sucedem-se as frases: «proteger as famílias, proteger as empresas, proteger o país». A trilogia do que há a proteger já de si tem uma ressonância sombria. Mas o chefe/protector ainda a tem mais.O pior é que o que há de salazarento nesta campanha surge de uma visão da política e do exercício do poder em perfeita consonância não apenas com os quatro anos de maioria absoluta do PS, com as suas interiorizadas opções políticas de direita, mas com as características pessoais dos seus responsáveis, com o autoritarismo e a ausência de cultura democrática a que dia a dia dão expressão prática e ideológica.Bem pode agora o PS querer «recauchutar» uma imagem de esquerda, afirmar-se contra o «pensamento neoliberal», mentir acerca das desigualdades sociais que agravou, afirmar-se defensor das liberdades democráticas que atacou. Essa imagem terá tanta credibilidade em Sócrates & Companhia como teria aparecerem todos vestidos de fato-macaco à porta das empresas que querem proteger.
Quanto aos trabalhadores e ao povo português, aos democratas portugueses, está na suas mãos protegerem-se a si próprios desta gente e desta política. Ao lado do PCP e da CDU, que não existem senão ao serviço dessa sua defesa e afirmação livre e autónoma.
Artigo de opinião Filipe Diniz

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

O parto do monstro

O primeiro-ministro britânico disse esta semana que a actual crise do capitalismo (Brown não fala de capitalismo, evidentemente, isto sou eu já a meter a colherada...) deve ser vista como «as contracções dolorosas para dar à luz uma nova ordem mundial» e que a tarefa dos que hoje se encontram no poder é «nada mais nada menos do que permitir uma transição para uma nova ordem mundial em benefício de uma sociedade mundial em expansão».
Brown não explicou que coisa é essa da «sociedade mundial em expansão», mas a avaliar pelo que se passa no mundo, Grã-Bretanha incluída, não é difícil adivinhar. O país de sua majestade entrou em recessão na sexta-feira, mas na cartilha de Brown, para além dos discursos, parece não constar mais nada a não ser a contínua transferência de milhões e milhões de libras para o sector financeiro. Esta receita não é original e nem sequer nos é estranha, pelo que onde se diz Brown poder-se-ia dizer outra coisa, tipo Sarkozy, ou Sócrates, ou Merkel, que vai dar no mesmo. É só trocar as libras por euros e nem se dá pela diferença.
Numa semana negra para os trabalhadores de todo o mundo – e o pior ainda está para vir, repetem os bem informados, não vá a gente esquecer-se – e quando começa finalmente a aflorar na imprensa dita de referência que os «prejuízos» dos que encerram postos de trabalho para «fazer face à crise» são na verdade quebras de lucros, que ainda assim se contam por milhões e milhares de milhões (os lucros arrecadados, note-se), numa semana desta, dizia, é sintomático que um Brown qualquer fale de «dores do parto», quando quem se contorce – com dor, com angústia, com raiva – são os trabalhadores que ficaram ou estão em vias de ficar sem trabalho, ou seja, sem a sua forma de subsistência. Será caso para dizer que uns parem os monstros e outros sofrem as dores.
Do gabinete de Downing Street saiu ainda a informação de que Brown espera encontrar com os seus homólogos «a melhor maneira de poder trabalhar conjuntamente a nível internacional para reformar o sistema financeiro, a expansão económica e a criação de empregos em novos sectores como o ambiente». Onde raio é que já ouvimos isto?
Artigo de opinião de Anabela Fino

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Multinacionais

Oito multinacionais, que em conjunto representam mais de um milhão de trabalhadores, anunciaram esta semana em simultâneo o despedimento de 72 000 trabalhadores. Nem mesmo os 2730 milhões de dólares de lucros, só no último ano, de uma dessas empresas, a Caterpillar, impediram a construtora norte-americana de escavadoras de lançar para o desemprego 20.000 trabalhadores.
A crise do capitalismo serve de cobertura para legitimar quase tudo e há mesmo quem não resista ao disparate e se apresse a justificar com ligeireza aquilo que é grave e sério, como foi o caso da «especialista» convidada pelo Diário de Notícias para comentar o assunto, ao referir que «as administrações das grandes empresas optam por dar aos accionistas sinais de que estão a fazer alguma coisa». Um pequeno aparte: estou certo de que a opinião desta senhora seria ainda mais convicta se num destes dias recebesse um «sinal» como receberam aqueles trabalhadores!
Voltando ao assunto, é evidente que as multinacionais instaladas no nosso País também não fogem à regra. Ao longo dos últimos anos, em nome «dos postos de trabalho» e da «modernização», têm beneficiado de apoios e dinheiros públicos, contribuído para o agravamento da precariedade e repatriado parte significativa da riqueza aqui criada, sem que nada lhes seja exigido. Agora, não passa dia em que não surjam notícias, ou ameaças, de paragens na produção, despedimentos, encerramentos e falências.O caso da empresa Qimonda – multinacional alemã com cerca de 15 mil trabalhadores que esta semana se declarou «insolvente» e que é detida em grande parte por outra multinacional, Infeneon, que por sua vez se separou de outra chamada Siemens – é um exemplo acabado da sofisticada rapina promovida pelas multinacionais. Só nos últimos anos, a sucursal sediada em Vila do Conde, dedicada à produção de semi-condutores, recebeu cerca 400 milhões de euros de apoios do Estado, impôs horários de trabalho desumanos de 12 horas e até serviu de exemplo ao primeiro-ministro, para a declarar como «empresa modelo» quando confrontado pelo Secretário-geral do PCP sobre o agravamento do desemprego e a ausência de soluções para a crise. Pode-se dizer que o Governo PS ficou sem argumento, mas o problema maior é que pelo menos 1800 trabalhadores correm o risco de ficar sem posto de trabalho.
Sendo o responsável por esta profunda crise, o grande capital prepara-se para sair dos seus escombros ainda mais rico e poderoso, contando para isso com a subserviência do poder político que, no nosso País, lhe vem prestando a vassalagem de classe com mais de 32 anos de política de direita. Tem naturalmente um poderoso obstáculo pela frente, a luta organizada da classe operária e de todos os trabalhadores!
Artigo de opinião de Vasco Cardoso