domingo, 21 de Junho de 2009

“Eu ainda não contei tudo”

“Pelo que agora se sabe, confrontando datas, já o banco BPN falia e Cavaco Silva fazia sentar na mesa do Conselho de Estado, por sua escolha pessoal, Dias Loureiro, que entre estranhos negócios com El assir, o libanês, e Hector Hoyos, o porto-riquenho, passou a dar parecer sobre assuntos de Estado ao mais alto nível.”

“De Oliveira e Costa no Parlamento fica ainda no ar o seu ameaçador: “eu ainda não contei tudo”. Quando o fizer, provavelmente, cai o regime. Francamente, com tudo o que se sabe, já não é sem tempo.”

“Obter um lucro de 140% num curto espaço de tempo, através da venda de acções de uma empresa que nem sequer está cotada em bolsa, é daquelas jogadas que fazem a alegria dos especuladores mas que ficam mal a um Presidente da Republica. E em nada contribui para aquela seriedade no modo de fazer política que Cavaco Silva tanto gosta de apregoar.”

“O caso BPN é também, e muito, a história sul-americana de uns ex-comparsas desavindos que sabem muitos segredos uns dos outros.”

quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O brilho do balão

Fazer contas é próprio dos momentos que se seguem aos actos eleitorais. Contas aos números, contas à vida. E, nesta, contas ao que se fez e deixou de fazer. Contas ao passado, pois. E contas ao futuro, que será o que mais interessa a todos. Por nossa parte, as contas nunca nos esquecemos de as fazer. E, para já, concluímos, entre as muitas parcelas que mostram a atitude do eleitorado, que este, no seu conjunto, decidiu dar um grande banho ao Partido Socialista de Sócrates, mostrando-lhe o vermelho de um cartão que outros pretenderam tingir de amarelo ou de laranja ou de outra cor do arco-íris político. Nos comentários entretanto ouvidos na noite eleitoral, a tónica das contas foi a mesma, com ligeira diferença, daquela que «orientou» uma comunicação social paga e dirigida pela grande burguesia. Não nos espantou, portanto, ouvir doutos comentadores e «jornalistas» dizer que o grande derrotado foi... o PCP! António Barreto foi mesmo ao ponto de considerar tal «derrota» como «histórica»! Só porque a «extrema-esquerda» passara à frente – por escassos votos, recorde-se – da CDU.
Claro que sabemos que o homem, desde uma certa carta «da Suíça», confunde esquerda com direita, a direita para onde ele rapidamente resvalou, tornando-se pouco tempo depois num ministro terrorista que, do bojo soarista contra-revolucionário, iria dar as primeiras e graves facadas na Reforma Agrária, iniciando então o processo de recuperação capitalista... em nome da esquerda.
Entretanto, nessa mesma noite de domingo, não pudemos deixar de reparar no brilho dos olhos dos dirigentes e eleitos do Bloco de Esquerda, exorbitados, bebendo as palavras de Sócrates, aguardando algum sinal que lhes desse poleiro. Ficou à vista o que pretende este agrupamento político que se veste de esquerda para arrebanhar votos do PS. Não para a ruptura e a mudança. Mas tão só para alcançar o degrau, o banco, a cadeira, o lugar à mesa de uma esquerda que faz a política de direita. Tal como inchou o balão do BE na noite das eleições, vai esvaziar certamente na frustração do poder. Ou, no caso de a tentação ser grande e sagaz a esperteza de quem os levou ao colo durante todas as campanhas e mesmo fora delas, se vier a concretizar-se a aliança de um casamento a bem-da-nação, o balão nem sequer esvazia. Rebenta mesmo.
As nossas contas são outras. Do reforço que a CDU colheu, nesta campanha e nos seus resultados, partimos desde já para novas lutas, construindo um futuro muito urgente. O de pôr fim à política de direita.
Artigo de opinião de Leandro Martins

domingo, 14 de Junho de 2009

Nem a árvore, nem a floresta

Para a história destas eleições para o Parlamento Europeu ficará, além do extraordinário resultado da CDU, a determinação com que os principais órgãos de comunicação social se esforçaram por o esconder.
Logo a começar nos comentários da noite eleitoral, em que António Barreto decretou ao mundo o pior resultado, histórico, da CDU, com a SIC a fazer-lhe a decerto involuntária maldade de lhe pôr um gráfico por baixo do queixo com o aumento de votos e percentagem da CDU.
A Antena 1 informou que a CDU foi a força mais votada «no Alentejo» - e quanto ao facto de a CDU ter sido a força mais votada em três distritos, dão-se alvíssaras a quem encontrar melhor.
O DN pôs a fotografia de Jerónimo de Sousa na coluna dos «cinco vencidos», mesmo com o seu jornalista a relatar a subida da CDU. Benemérito, o Público lá reconhece que o «resultado salva a noite do PCP» (embora fique a dúvida: se a noite foi para apurar resultados, o que era suposto ter «salvo a noite do PCP» senão... o resultado?!)O Correio da Manhã titulava na 2.ª feira a seguir às eleições: «Perder à esquerda», referindo-se à CDU. O desconcerto é total: mas se o CM informa que a CDU teve mais votos, mais percentagem, o melhor resultado desde há 15 anos e ainda lhe atribui forte contribuição para a derrota do PS, então «perder à esquerda» porquê?! Na mesma página, publica-se um texto de Joana Amaral Dias que atribui o aumento da votação no PCP «ao estado em que se encontra o PS». É a tão velhinha tese que volta ciclicamente a ser repetida em alturas de eleições, na Festa do Avante!, nos aniversários e nos Congressos do Partido e da JCP em que – surpresa! - o PCP continua a existir e a reforçar-se. A tese que atribui essa existência e esse reforço não ao enraízamento, à convicção ou à consciência de milhares de militantes, amigos e eleitores do PCP e da CDU, mas sim ao demérito dos outros partidos, ao atraso do País, ao subdesenvolvimento do povo. Como gostavam que assim fosse, vão repetindo e repetindo, a ver se a realidade desaparece quando abrirem os olhos. Mas ela aí está – a olhos vistos.
Artigo de opinião de Margarida Botelho

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Análises, sondagens e desejos

Estas eleições foram pródigas em confirmar coisas que já se sabiam. Desde logo que o nosso povo está «fartinho até às orelhas» (como diria uma tia minha), das políticas de direita e deu uma valente «ripada» no seu actual executor, o Partido Socialista. Nada mais claro se registarmos o facto de, comparado com as últimas eleições, o PS ter perdido mais de 550 mil votos, tendo obtido um dos seus piores resultados de sempre. E que é comprovado pelo facto de o PSD ter um resultado pouco melhor que sofrível, que não pode ser apagado pelos saltinhos de Rangel e da sua rapaziada, que só se explicam pelo baixíssimo nível de expectativas com que a direita portuguesa partiu para esta batalha.
Por outro lado, elas revelam bem o papel das sondagens. Podendo ser um instrumento sério de análise de tendências globais, as sondagens foram, uma vez mais, usadas pela comunicação social dominante, ao serviço do poder económico, como instrumento de tentativa de condicionamento da vontade dos eleitores. Ao longo dos meses foram esgrimidas para incutir a ideia de que a CDU estaria em perda, de que baixaria a sua percentagem e até para justificar a tese de que o segundo candidato da CDU estaria «na sombra», conforme se lhe referiu um jornal diário, ou seja, estaria em causa a sua eleição.Aliás, com toda a desfaçatez, e apesar de ter ficado provado o seu estrondoso desacerto com a realidade, na própria noite de domingo, lá vem mais uma sondagem, desta feita para as legislativas, que procura justificar a tese da moda - a da bipolarização. Por último, elas mostram que a análise e o comentário político, no que à CDU diz respeito, tem muito mais de desejo do que avaliação e interpretação de resultados. Senão, como entender que, a uma força que subiu mais de 70 mil votos, ou seja mais de 23% da sua massa eleitoral, que subiu em votos e em percentagem em todos os distritos e em mais de 300 dos 308 concelhos, que ganhou mais distritos do que o PS, que tem subidas percentuais que vão até aos mais de 80%, que tem o seu melhor resultado dos últimos 15 anos, que ganhou freguesias e concelhos que há mais de vinte anos não ganhava, como entender, dizia, que desta força política se diga que perdeu, ou se coloque o seu principal dirigente no lote dos vencidos?
Somente porque era esse o seu desejo e não conseguiram ajustar a agulha à realidade. Mas disso sabemos nós bem!
Artigo de opinião de João Frazão

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Bloco central

“O bloco central no Governo, invadindo a área política, tornaria ainda mais perigoso o bloco central de interesses.”

“Um bloco central ou uma coligação nada virá a alterar. A corrupção não aumentará, será dividida em dois.”

“Será normal que haja num país tanto responsável político e económico sob suspeita?”

terça-feira, 2 de Junho de 2009

TAP: Contas de Sumir

A propósito do Grupo TAP, tem sido o País inundado com números, milhões em prejuízos duma empresa que só poderia ser salva com a privatização e a redução de salários e direitos dos seus trabalhadores. São no essencial contas de sumir, onde, não só um mais um deixam de ser dois como qualquer rigor e objectividade desaparecem no malabarismo de gestores públicos e ministros ao serviço de grupos económicos privados.Na TAP, os prejuízos anunciados são de 280 milhões. Nas contas do Governo, a solução é fazer entrar capital privado e reduzir os custos com pessoal. Mas o Governo não consegue explicar como uma empresa com mais de 2 mil milhões de facturação e custos com o pessoal inferiores a 390 milhões apresenta este prejuízo, e ainda se cauciona a sua gestão reconduzindo-a.
Na SPdH, os prejuízos anunciados são de 32 milhões. Mais uma vez, o Governo apresenta como solução reduzir salários e direitos, flexibilizar e despedir. Nas contas do Governo, uma redução de 40% nos custos com pessoal é a solução. Nas contas dos trabalhadores, o problema reside na subfacturação e no dumping que as duas empresas do handling aeroportuário praticam (SPDH e Portway, ambas públicas) numa concorrência sem outro nexo que não seja a facilitação da sua privatização. Nas Lojas Francas, o ano de 2008 terminou com um aumento da facturação e com lucros de 8 milhões. Razão para pagar aos administradores prémios de gestão ao mesmo tempo que se recusava qualquer aumento salarial por causa «da crise». Para os trabalhadores ficava feita a demonstração final que no Grupo TAP a «solução» do Governo é sempre a mesma.
Nestes três exemplos de empresas do Grupo TAP, o que é tornado público são números seleccionados para uma operação de propaganda, numa equação sem incógnitas cujo resultado está pré-estabelecido: privatizar e intensificar a exploração. O objectivo é fazer sumir a realidade de um grupo público que muito contribui para a economia nacional (mais de 2% do PIB), que cria riqueza e promove o desenvolvimento nacional, com o objectivo de facilitar a sua apropriação privada. Em oposição, o PCP e os trabalhadores lutam por somar a esta realidade as vantagens de uma gestão democrática das empresas públicas.
Artigo de opinião de Manuel Gouveia